domingo, 25 de maio de 2008


Soube, desde o início, que ali, junto a ti, com a cabeça sobre o teu peito quente, não poderia ser feliz. Aquele não era, portanto, o meu lugar. Não era ali que eu pertencia. Mesmo que o teu peito me soubesse tão bem. Mesmo que os teus braços fortes me afagassem o corpo frio. Mesmo que o teu beijo me protegesse de todas as investidas hostis, eu sabia que em breve já nada restaria. Em breve abandonar-me-ias, e apenas a memória do teu calor e do teu perfume me assombrariam, para compor os dias vazios. Em breve apenas o silêncio e a solidão seriam meus fiéis companheiros, e apenas eles, e não tu, me abraçariam a meio da noite, quando a urgência do teu ser se tornasse intolerável.
Ainda assim, isso pouco importava. Desde que te tivesse nesses poucos instantes que sobravam.

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