
Lá fora a noite já se põe. Ninguém passa nestas ruas secretas, que espio, dia após dia, entregue à esperança do teu regresso. De uma qualquer casa abandonada, escuto a brisa que embate raivosa contra as vitrinas já estaladas, pelo tempo, pelo esquecimento, quem sabe? De um outro lado, posso ouvir berros. Berros de fúria. Berros de ira. Berros de cólera. Berros e berros, que preenchem o vazio delirante, que me consome, tornando-o ainda mais intolerável. Insuportável. Insustentável. E como me arde o vazio, repleto destes berros que chocam como tiros contra o meu corpo já esgotado.
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