segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Rasguemos essas folhas cheias de rabiscos sem sentido. Sim, essas aí à tua beira. Olha como estão amarelas e esborratadas. Mais parece que uma criança pequena tomou posse delas. Até rasgadas estão! Anda lá, dá-mas, para eu me livrar delas de uma vez por todas! Vá, não me olhes assim. Sim, tu, oh meu pequeno Monstrinho de olhos verdes. Vem, deita-te no meu regaço e deixa-me afagar os teus cabelos feios. Não chores, meu bem. São feios, sim, mas se fossem de outra maneira não os poderia amar como amo. Sorri para mim, só para mim. Não te preocupes, mais ninguém verá esses teus dentes sujos, apenas eu. Isso mesmo, meu amorzinho. Ouve-me agora. Devemos deitar essas folhas fora. Devemos queimá-las e jogar as suas cinzas no infernal abismo. Meu Monstrinho, já te disse para me ouvires até ao fim! Anda cá, traz-me esse lenço para te limpar as lágrimas. Não, esse não, que é o mais belo que tenho e irias apenas manchá-lo com a tua pele. O outro, aquele gasto e enegrecido pelo pó. Sim, esse mesmo. Vem cá. Pronto. Escuta-me. São essas folhas aquilo que iremos queimar hoje. Não tu, meu Monstro. De ti não me livro nem que queira.

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