Reconheço, e aceito até, que as pessoas são más. Ruins, podres por dentro. Pois é. Aposto que se conseguíssemos ver através da pele e da carne (enfim, de tudo o que reveste o corpo humano), não eram os órgãos que íamos ver, mas sim uma substância pegajosa e nojenta, com um tom negro, tão negro quanto essas noites escuras de que penso já aqui ter falado. E se olhássemos com atenção, com olhos de quem quer realmente ver, então veríamos (yay, acabei de utilizar a figura de estilo que dá pelo nome de Pleonasmo – sim, que eu ontem à noite andei a “dar na veia” com a gramática de português) a podridão do mundo ali toda incrustada nos códigos genéticos.
Digo-vos, caros leitores inexistentes, é como se a malvadez e crueldade humana fossem passadas de geração em geração, ensinadas às pequenas crianças e incutidas logo à nascença. Por exemplo, no outro dia (ou na outra semana, que a memória já me falha) estava eu a passar por um jardim de infância, a caminho de casa. E só ouço uma menina aos gritos com outra, estando esta outra toda encolhida a um canto, a chorar baba e ranho. Então e não é que a primeira, aquela que gritava desalmadamente como se não houvesse amanhã, dizia à outra, a que chorava desalmadamente como se não houvesse amanhã, algo do género: “Nunca mais vou ser tua amiga, e depois hás-de cá vir! Já não quero mais saber de ti! Agora vou ali brincar com a criança x, que gosto mais dela do que de ti!”. Enfim, sei que são apenas crianças, mas o que é feito da compaixão? A outra menina estava ali a chorar tanto, que mais parecia que os seus pulmões estavam prestes a rebentar! E a primeira, simplesmente virou as costas e foi jogar à apanhada! À apanhada minha gente! Mas vá, admito que a ironia é como uma pitada de sal na vida.
Não sou digna, e sei-o bem, de citar people are tricky, you can't afford to show/ anything risky, anything they don't know/ the moment you try, you kiss it goodbye. Porém, é igualmente verdade que já tive de abrir os olhos à força para o que não queria ver. Mas vi. Tive de ver. E o que não entendo é esta arrogância, esta falta de humildade, este “vou-te pisar até ficares completamente esborrachado”. Não encaixa na minha cabeça. Sou uma ignorante, se assim se pode dizer. E continuo a remar contra a maré. Porque é assim que eu sou. Remo contra a maré até mais não. E depois meto os pés pelas mãos, envergonhando-me em frente a toda a gente. Porque é assim que eu sou: desajeitada até ao osso.
Ainda assim, gosto das pessoas. Sim são más, mas eu também sou. Somos todos. Não há nada a fazer. E não é por mal. É apenas a nossa natureza. A única coisa que pudemos fazer é tentar ser pessoas melhores. Mas se a sede por sobrevivência nos atinge, lá estamos nós de novo, feitos lobos e hienas (elá, que isto ainda ficou grandinho).
2 comentários:
Podemos, não é pudemos. Ai essa gramática.
É verdade é, obrigada.
Os erros escapam-me muitas vezes. :P
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