Eu queria muito descrever este livro. Dizer mil e uma coisas. Mas sabem quando não conseguem dizer nada? Quando as palavras já não são suficientes? Quando o que tentamos descrever deixa de ser descritível? É aí que percebemos que os factos e as teorias não servem de muito. E as palavras são apenas os interlocutores, pelo que também elas deixam de ter importância. O mundo é um espaço imenso, e tudo o que julgamos ser imprescindível é, no fundo, uma ínfima parte do que é real (ou ilusório, que nesta questão há caminhos para todos os gostos).
E o que eu quero dizer é que não consigo descrever este livro. Ao lê-lo senti que o meu coração não conseguia albergar tudo o que se lhe deparava, como “um grande rio depois de uma forte chuvada que transborda, invadido as margens. (…) De todas as vezes que observo nas notícias uma paisagem devastada pela força da corrente, como essa, repito a mim própria: É exactamente assim que o meu coração se sente.”*. Mas afinal, quem consegue descrever Kafka, o rapaz de 15 anos mais forte do mundo?
* Haruki Murakami, in Kafka à Beira-Mar, página 17
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