sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Pudesse eu não ter medo de nada. Nem das sombras, nem das noites escuras, nem da recordação da tua partida. Pudesse eu fechar os olhos neste instante e esquecer tudo. Tudo o que há para ser lembrado. Pudesse eu lavar de mim o perfume que depuseste na minha pele de cada vez que me abraçavas, deixando-me não mais do que o veneno dos dias que já não voltam. Pudesse eu ser capaz de calar as súplicas do meu corpo, pedindo-me mais um beijo teu. Um desses beijos que já não me dás, por não mais os desejares. Mas quem me dera ter mais um beijo teu. Agora, tudo o que me resta são estas palavras que te escrevo, dia após dia, que nem um mendigo há beira da estrada. Isso e a saudade.

Não saberei nunca
dizer adeus
Afinal,
só os mortos sabem morrer.

Mia Couto - O Poema da Despedida

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