terça-feira, 19 de agosto de 2008

Trazia o olhar vazio. Os olhos, esses, continuavam verdes como sempre. De um verde muito forte, quente até. Os lábios continuavam a trazer o mesmo sorriso de sempre. E os cabelos continuavam com o mesmo tom castanho de sempre. Mas o olhar estava vazio. Podia vê-lo quando a olhava. E podia ver que não era só o olhar que trazia vazio. Era também a alma.
Trazia o olhar e a alma vazios. Como se o seu espírito vacilasse abruptamente. Como se não fosse mais capaz de erguer o peso do corpo, deixando-o ficar abandonado sobre o solo húmido pela chuva. Como se o frágil coração que trazia no peito se tivesse quebrado em mil estilhaços, dilacerando cada pedaço da sua consciência. E como a queria salvar. Dizer-lhe o que quer que fosse, desde que fosse algo. Mas… não foi capaz. Trazia o olhar vazio, e ele não era capaz de o encher.

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