sábado, 14 de junho de 2008

Fight Club II


Trago dentro de mim um monstro de olhos verdes, que torna as noites escuras em brasa de encontro à minha pele fria. É ele que me dilacera com o vazio ensurdecedor que o segue, tão fielmente, preenchendo cada recanto do meu corpo com a dor da ausência do que já foi e do que não voltará a ser. É ele que me rouba o sono e que torna o mundo numa montanha que me esmaga sem cessar. E é difícil caminhar sabendo que, quando menos esperarmos, o peso insuportável da angústia nos vai atingir novamente. Ainda assim, tenho, por vezes, a força de lutar contra as noites escuras, contra o vazio ensurdecedor, contra a dor da ausência, contra esta montanha intolerável. Chego até a ter a força de olhar o meu pequeno monstro nos olhos e dizer: “Tu não és maior que eu. Eu sou maior que tu. Eu é que controlo isto. E eu é que decido se dói ou não.”


Lembram-se do Fight Club? Num das cenas finais o Jack diz ao Taylor “I’m holding the gun.”.

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